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Ambientalistas celebram queda no desmatamento da Mata Atlântica, mas apontam ameaças legislativas
Debate na Câmara reúne dados de redução histórica no desmatamento, mas alerta para projetos que podem enfraquecer proteção do bioma
20/05/2026 14h29
Por: Redação Fonte: Agência Câmara de Notícias
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias

BRASÍLIA — Ambientalistas destacaram a queda histórica no desmatamento da Mata Atlântica, mas alertaram para o que chamam de “ameaças legislativas” ao bioma durante audiência realizada na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (19).

O debate ocorreu em meio à chamada “Semana do Agro”, período em que o Plenário da Casa analisa projetos de lei relacionados ao setor agropecuário, alguns deles criticados por ambientalistas por possíveis impactos socioambientais.

Dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do MapBiomas apontam redução de 28% no desmatamento entre 2024 e 2025, passando de 53,3 mil para 38,3 mil hectares. No acumulado de dois anos, a queda chega a 47%. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, produzido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica ainda redução de 40% na supressão de vegetação nativa desde 1985.

Segundo o diretor da SOS Mata Atlântica, Luiz Fernando Pinto, os números representam a menor taxa de desmatamento da série histórica e indicam uma tendência de melhora contínua.

Ele afirma que políticas públicas, fiscalização e a Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/06) têm sido fundamentais para a redução da perda de vegetação nativa.

Apesar dos avanços, ambientalistas alertam para projetos de lei em tramitação que poderiam flexibilizar regras de proteção ambiental. Segundo a diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, parte das propostas pode afetar diretamente áreas sensíveis do bioma, incluindo campos de altitude e outros ecossistemas associados.

Parlamentares que participaram do debate também destacaram preocupação com projetos incluídos na pauta legislativa recente, apontando risco de retrocessos na proteção ambiental.

Os especialistas lembram ainda que a Mata Atlântica é o bioma mais degradado do país, com apenas cerca de 24% de vegetação nativa remanescente, concentrada em áreas onde vive a maior parte da população brasileira. O bioma também concentra grande parte dos registros de desastres naturais, segundo o Cemaden, o que reforça sua importância para adaptação climática.