BRASIL — O impacto da elevação das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos em 2025 foi mais intenso nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, especialmente entre agosto e novembro do ano passado, período considerado o auge das medidas tarifárias. A conclusão é do Banco Central (BC) e consta em um estudo divulgado nesta quarta-feira (20) no Boletim Regional da instituição.
Segundo o levantamento, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025, uma redução de US$ 2,7 bilhões, equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e 0,8% das exportações nacionais.
O Sudeste foi a região mais impactada em valores absolutos. As exportações para os EUA caíram de US$ 28,7 bilhões para US$ 27 bilhões, enquanto no Sul a retração foi proporcionalmente ainda maior, com redução de 1,5% das exportações regionais, passando de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões.
Entre os estados mais afetados estão Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, que registraram quedas expressivas nas vendas ao mercado norte-americano. No caso do Espírito Santo, embora a perda em valores absolutos tenha sido menor, o impacto proporcional sobre a economia estadual foi o mais significativo, equivalente a 0,55% do PIB local.
O Banco Central destaca que a principal razão para a retração foi a diminuição do volume exportado, conhecido como quantum, e não apenas a queda dos preços. Em nível nacional, o volume embarcado aos EUA caiu 5,6%, enquanto os preços tiveram redução mais discreta, de 1,2%.
No Sudeste, a retração foi puxada por setores como café, em Minas Gerais, e produtos industrializados e semimanufaturados, em São Paulo. Já no Rio de Janeiro, houve queda nas exportações de combustíveis, mesmo sem incidência direta das tarifas sobre o petróleo.
Na região Sul, os setores de máquinas, madeira e carnes bovinas foram os mais impactados. Apesar da redução no volume exportado de carne, os preços mais elevados ajudaram a amenizar as perdas.
Apesar do cenário negativo nas exportações para os Estados Unidos, o BC aponta que parte das vendas brasileiras pode ter sido redirecionada para outros mercados internacionais, já que as exportações totais do país cresceram no período.
Para 2026, a autoridade monetária avalia que o cenário ainda é incerto e pode sofrer alterações diante de decisões judiciais nos EUA sobre as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump, além de novas investigações comerciais envolvendo o Brasil.