REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO/UGANDA — A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou nesta quarta-feira (20) os números do surto de ebola que atinge áreas da República Democrática do Congo e Uganda. Segundo o novo balanço, já são 528 casos suspeitos e 132 mortes associadas à variante Bundibugyo virus, considerada rara.
De acordo com a entidade, 668 pessoas que tiveram contato com infectados já foram identificadas, mas as condições locais dificultam o trabalho das equipes médicas. Problemas de segurança, restrições de deslocamento e a fragilidade do sistema de saúde na região têm prejudicado ações de monitoramento e contenção do vírus.
A OMS acredita que o número real de pessoas contaminadas e mortas pode ser significativamente maior do que os dados oficiais apontam. Isso porque muitos casos não chegam ao sistema de saúde, além de haver registros de mortes dentro das próprias residências sem notificação formal.
“Sabemos que a dimensão da epidemia é muito maior. Esperamos que esses números continuem aumentando”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O surto ocorre em uma região de intensa circulação entre Congo e Uganda, onde comunidades têm forte integração e fluxo frequente de pessoas. A doença é causada pela cepa Bundibugyo ebolavirus, para a qual não há vacina ou tratamento específico disponível atualmente.
O ebola é uma doença viral altamente letal, com taxa de mortalidade estimada entre 30% e 40%, sendo transmitida principalmente pelo contato com fluidos corporais de pessoas infectadas.
Apesar da gravidade do cenário local, a OMS reforçou que, até o momento, o risco de disseminação global é considerado baixo, embora permaneça elevado para os países afetados e regiões vizinhas.