BRASIL — Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram diferenças significativas no desempenho de estudantes concluintes de cursos de licenciatura nas modalidades presencial e a distância (EAD), avaliados no Enade das Licenciaturas de 2025.
Segundo o levantamento, 53,1% dos formandos em cursos de educação a distância apresentaram desempenho considerado insuficiente no exame. Já entre os estudantes de cursos presenciais, 73,9% foram classificados como proficientes, ou seja, atingiram o nível adequado de conhecimento e habilidades na área avaliada.
O estudo também revela que, em 2025, 60% dos concluintes estavam matriculados em cursos EAD, enquanto 40% cursaram a modalidade presencial, o que reforça a relevância do debate sobre a qualidade da formação docente no país.
Em coletiva, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que mudanças regulatórias recentes buscam elevar o padrão da formação. Entre as medidas, está a decisão de extinguir os cursos de licenciatura totalmente a distância até maio de 2027, com migração para formatos presenciais ou semipresenciais.
O Conceito Enade, utilizado como indicador de qualidade do ensino superior pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), avalia o desempenho dos estudantes em escala de 1 a 5, considerando a proficiência dos concluintes em provas específicas.
No total, foram analisados 4.547 cursos de licenciatura, sendo 1.127 na modalidade EAD, 3.420 presenciais e 401 sem avaliação por número insuficiente de alunos. Entre os cursos avaliados, 56,8% atingiram conceitos satisfatórios (3, 4 e 5), enquanto cerca de 35% ficaram nas faixas mais baixas (1 e 2).
O MEC informou ainda que os cursos com pior desempenho terão acompanhamento mais rigoroso durante o período de transição regulatória. A pasta também determinou que a oferta de licenciaturas EAD seja encerrada gradualmente, com prazo final até 2027.
Os dados reforçam a tendência de maior desempenho entre instituições públicas. Segundo o levantamento, 75,9% dos concluintes de universidades federais e 73,3% das estaduais foram considerados proficientes, contra 46,5% dos estudantes de instituições privadas.
O governo avalia que as mudanças no sistema de avaliação e regulação devem servir como base para melhorar a qualidade da formação docente no país e impactar diretamente a educação básica nos próximos anos.