BRASIL — Uma pesquisa internacional aponta que 70% dos brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta de forma significativa o bem-estar emocional. O levantamento também mostra que 78% dos pacientes relatam ansiedade ou preocupação com o futuro, enquanto parte dos entrevistados diz se sentir isolada no convívio com a doença.
O estudo foi realizado pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, com pacientes de 22 países, incluindo o Brasil. Ao todo, mais de 4 mil pessoas participaram da pesquisa, sendo cerca de 20% brasileiras.
Além do impacto emocional, os dados revelam dificuldades no dia a dia dos pacientes. Entre os entrevistados no Brasil, 56% afirmam que o diabetes limita atividades fora de casa, enquanto 46% relatam dificuldades em situações cotidianas, como trânsito ou reuniões longas.
Outro ponto destacado é a relação com o sono e o controle da glicemia: 55% dizem não acordar plenamente descansados devido às variações noturnas da glicose.
Apesar dos avanços no tratamento, apenas 35% dos pacientes se dizem confiantes no controle da doença. Já 44% defendem a adoção de tecnologias mais avançadas, como sensores de monitoramento contínuo e sistemas capazes de prever alterações nos níveis de glicose.
Entre os pacientes com diabetes tipo 1, o interesse por soluções tecnológicas é ainda maior: 95% consideram fundamentais ferramentas capazes de prever episódios de hipo ou hiperglicemia.
Especialistas ouvidos na pesquisa destacam que o uso de sensores de monitoramento contínuo pode melhorar a qualidade de vida, reduzir complicações e diminuir internações hospitalares. No entanto, o acesso a essas tecnologias ainda é desigual no Brasil, especialmente no sistema público de saúde.
Atualmente, o Ministério da Saúde não incorporou o monitoramento contínuo de glicose ao SUS, enquanto projetos de lei sobre o tema ainda tramitam no Congresso Nacional.