BRASIL — A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, em análise na Câmara dos Deputados por meio da PEC 221/19, levanta debates além das relações trabalhistas e inclui possíveis impactos sociais relacionados à segurança e à violência doméstica.
Embora a mudança possa representar mais tempo livre e melhor qualidade de vida para trabalhadores, especialistas alertam que o aumento de períodos em casa pode exigir a ampliação de políticas públicas de proteção, especialmente em casos de vítimas que convivem com agressores.
Estudos citados por pesquisadores do Laboratório de Estudos de Feminicídio (Lesfem), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), indicam que denúncias de abuso tendem a crescer em períodos de maior permanência no ambiente doméstico, como fins de semana e feriados.
Dados de outras instituições, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, também apontam que o convívio prolongado em casa pode estar associado ao aumento de riscos em contextos de violência doméstica.
Especialistas destacam ainda que o consumo de álcool e o isolamento da vítima em relação a redes de apoio podem agravar situações de risco em períodos de maior permanência no ambiente doméstico.
Por outro lado, defensores da mudança na jornada de trabalho afirmam que a redução da escala pode trazer ganhos de qualidade de vida e bem-estar, desde que acompanhada de políticas públicas de prevenção e proteção social.
O tema segue em discussão no Congresso Nacional.