Internacional CRISE INTERNACIONAL
Autoridade dos Emirados vê 50% de chance de acordo entre EUA e Irã sobre Ormuz
Conselheiro dos Emirados defende reabertura do estreito e diz que cessar-fogo sem acordo seria insuficiente
22/05/2026 13h20
Por: Redação Fonte: AFP / Folha de Pernambuco

MUNDO — Uma autoridade dos Emirados Árabes Unidos afirmou nesta sexta-feira (22) que existe 50% de chance de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

A declaração foi feita por Anwar Gargash, conselheiro do presidente dos Emirados Árabes Unidos, durante participação na conferência de segurança Globsec, em Praga.

Segundo Gargash, os líderes iranianos “perderam muitas oportunidades nos últimos anos devido a uma tendência de superestimar suas capacidades” e demonstrou expectativa de que o país não repita o mesmo comportamento diante das negociações atuais.

Desde o agravamento da guerra no Oriente Médio, iniciado em fevereiro após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o governo iraniano bloqueou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do planeta para o transporte de petróleo e gás natural.

Antes do conflito, quase um quinto dos hidrocarbonetos mundiais passava pela região, considerada estratégica para a economia global. Em resposta às ações iranianas, Washington adotou restrições aos portos do Irã.

Gargash defendeu que qualquer acordo diplomático inclua obrigatoriamente a reabertura do estreito, afirmando que um cessar-fogo sem essa medida poderia manter riscos de novos conflitos no futuro.

“Não queremos negociações focadas apenas em cessar-fogo sem resolver questões estruturais”, afirmou a autoridade emiradense, destacando a importância de transformar novamente Ormuz em uma “via navegável internacional”.

Além da disputa marítima, as negociações entre Washington e Teerã também envolvem o programa nuclear iraniano e a tentativa de impedir que o país desenvolva armas nucleares.

Segundo Gargash, a preocupação dos Emirados com o programa nuclear do Irã, antes considerada secundária, tornou-se prioridade diante do cenário atual de guerra.