Saúde SURTO DE EBOLA
Por que surto de Ebola não deve virar pandemia? Entenda em 5 pontos
OMS mantém alerta internacional, mas especialistas afirmam que forma de transmissão limita avanço global do vírus
22/05/2026 13h30
Por: Redação Fonte: Agência O Globo / OMS
Vírus do Ebola - Foto: microbiologist Cynthia Goldsmith Internacional

MUNDO — O recente surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda acendeu um alerta internacional após a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar emergência de saúde pública. Apesar da preocupação, especialistas afirmam que o cenário não apresenta potencial para se transformar em uma pandemia global, como ocorreu com a Covid-19.

Segundo a OMS, o risco da epidemia é considerado alto em nível regional, mas baixo no âmbito global. Até o momento, foram registrados quase 600 casos suspeitos e 139 mortes, principalmente na RDC.

Confira os principais motivos pelos quais o surto dificilmente deve se espalhar mundialmente:

1. O Ebola não é transmitido pelo ar
Ao contrário da Covid-19 e da gripe, o Ebola não se espalha por vias respiratórias. A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais de pessoas infectadas ou superfícies contaminadas.

Especialistas afirmam que essa característica reduz drasticamente a velocidade de disseminação do vírus em comparação com doenças respiratórias.

2. Pessoas só transmitem quando apresentam sintomas
Outro fator importante é que o indivíduo infectado só transmite o vírus quando começa a apresentar sintomas, e o quadro costuma ser grave rapidamente.

Com sintomas severos, como febre alta, fraqueza intensa e hemorragias em alguns casos, os pacientes tendem a ser identificados e isolados mais cedo, reduzindo o risco de propagação internacional.

3. Protocolos de controle já são conhecidos
Diferente do início da pandemia de Covid-19, autoridades sanitárias já têm experiência no combate ao Ebola.

Entre as medidas eficazes estão: rastreamento de contatos, quarentena, enterros seguros, vigilância laboratorial e isolamento de pacientes infectados — estratégias que já ajudaram a conter surtos anteriores.

4. Há vacinas e tratamentos sendo avaliados
Embora o surto atual envolva a cepa Bundibugyo, mais rara e sem vacina específica aprovada, a OMS avalia o uso de imunizantes já existentes que podem oferecer algum nível de proteção.

Pesquisas também estão em andamento para tratamentos específicos contra a variante atual.

5. O alerta continua concentrado na região afetada
Até agora, as recomendações da OMS estão direcionadas principalmente às áreas atingidas e países vizinhos.

O principal desafio, segundo especialistas, está no contexto regional da RDC, marcado por conflitos, dificuldades no sistema de saúde e circulação populacional intensa, o que dificulta o controle local do vírus.

Apesar disso, a OMS reforça que não há indicação de risco pandêmico global neste momento. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a preocupação está concentrada na rapidez do avanço regional do surto e no aumento esperado de casos nos próximos dias.

Esta é a terceira vez que a OMS declara emergência internacional relacionada ao Ebola e a nona emergência sanitária global desde a criação do mecanismo.