Política REDES SOCIAIS
Projeto no Senado quer criminalizar lucro com discurso de ódio nas redes sociais
Proposta prevê prisão de até cinco anos para quem monetizar, financiar ou impulsionar conteúdos discriminatórios
25/05/2026 10h22
Por: Redação Fonte: Agência Senado
Antonio Guillen Fernández/Stockphotos Fonte: Agência Senado

BRASIL — Um projeto de lei em tramitação no Senado Federal pretende criminalizar a monetização do discurso de ódio em plataformas digitais. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para quem lucrar com a criação, disseminação ou impulsionamento de conteúdos discriminatórios, incluindo aqueles motivados por gênero ou orientação sexual.

O Projeto de Lei (PL) 1897/2026, apresentado pela senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO), altera a Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes resultantes de preconceito e discriminação.

Pelo texto, também poderão ser responsabilizados criminalmente aqueles que intermediarem, patrocinarem, financiarem ou impulsionarem conteúdos considerados discurso de ódio, além de gestores de programas de afiliados e responsáveis por oferecer infraestrutura para disseminação dessas publicações.

A pena poderá ser ampliada entre um terço e metade caso sejam utilizadas ferramentas como anúncios pagos, redes automatizadas, contas falsas ou mecanismos para ocultar a origem dos recursos financeiros envolvidos na divulgação do conteúdo. O aumento também poderá ocorrer em situações de grande alcance ou disseminação das mensagens.

Na justificativa do projeto, a autora afirma que a proposta busca combater o modelo de negócio que transforma violência e discriminação em conteúdo lucrativo nas redes sociais.

Segundo a senadora, discursos de ódio ultrapassam o ambiente virtual e podem impactar comportamentos sociais, principalmente entre jovens. O texto cita investigações relacionadas a um caso de violência sexual no Rio de Janeiro, no qual envolvidos teriam tido contato com comunidades on-line associadas ao universo “Red Pill”.

O termo “Red Pill” é frequentemente ligado a grupos digitais que promovem discursos misóginos e ideias de inferiorização ou manipulação feminina nas relações sociais, embora existam diferentes vertentes dentro do movimento.

O projeto segue em tramitação no Senado e ainda passará pelas comissões temáticas antes de eventual votação em plenário.