
BRASIL/COLÔMBIA — O cenário político da Colômbia passou a ser observado com atenção no Brasil diante do fortalecimento de candidaturas conservadoras impulsionadas pelo discurso de combate à criminalidade. Em meio ao avanço da violência urbana e ao fortalecimento de grupos armados no país vizinho, especialistas avaliam que a segurança pública deve ganhar ainda mais espaço no debate político latino-americano — incluindo as eleições presidenciais brasileiras de 2026.
A Colômbia realiza eleição presidencial no próximo dia 31 de maio, em um contexto marcado por atentados políticos, ameaças a candidatos e críticas crescentes à política de “paz total” implementada pelo presidente Gustavo Petro.
A estratégia do governo colombiano buscou ampliar negociações simultâneas com grupos armados e dissidências das antigas Farc, mas passou a enfrentar resistência após o aumento recente dos episódios de violência no país.
Durante participação no programa Mapa de Risco Internacional, do InfoMoney, o cientista político e sócio da Real Time Big Data, Bruno Soller, afirmou que o agravamento da segurança reorganizou o debate eleitoral colombiano e abriu espaço para candidaturas de direita com propostas de endurecimento penal.
Segundo ele, o fenômeno observado na Colômbia não é isolado e reflete uma tendência regional.
“Se a gente for olhar do México para baixo, praticamente não tem um país que se salva em relação à segurança pública”, afirmou.
De acordo com Soller, a preocupação da população com violência urbana passou a ter forte peso político e ultrapassa divisões ideológicas tradicionais.
A discussão ganhou força especialmente após o avanço de grupos armados, do narcotráfico e da crise migratória relacionada à Venezuela, fatores que ampliaram o sentimento de insegurança no território colombiano.
Na avaliação do especialista, o debate colombiano pode antecipar movimentos que devem aparecer com mais intensidade na disputa presidencial brasileira de 2026, especialmente em candidaturas ligadas ao campo conservador, onde propostas de endurecimento penal e combate mais rígido ao crime já aparecem com destaque.
Soller também apontou que a pauta da segurança pública representa um desafio para governos de esquerda na América Latina, por não ser tradicionalmente associada ao campo progressista.
Além da Colômbia, exemplos como o do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, passaram a influenciar parte do debate regional. Bukele ganhou projeção internacional após implementar políticas de forte repressão contra facções criminosas e ampliar o encarceramento no país.
No Brasil, o tema da segurança pública também aparece com frequência crescente em pesquisas eleitorais e tende a ocupar espaço central no debate político dos próximos anos.
Para analistas, o avanço da violência e a cobrança por respostas mais rápidas do Estado podem transformar o combate ao crime em um dos principais temas da eleição presidencial de 2026.