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Estudo do Pnud diz que futuro do Brasil depende da inclusão de jovens negros

Pesquisa mostra redução das desigualdades, mas aponta que população negra ainda enfrenta renda e qualidade de vida inferiores

Por: Redação Fonte: Agência Brasil / Pnud
26/05/2026 às 13h22
Estudo do Pnud diz que futuro do Brasil depende da inclusão de jovens negros
© Marcello Casal JrAgência Brasil

BRASÍLIA — Um estudo divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) aponta que o futuro econômico e social do Brasil depende diretamente da inclusão da população jovem negra nas políticas públicas de desenvolvimento.

Segundo a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, o país enfrenta uma mudança demográfica que torna esse debate estratégico para o futuro nacional.

“Quem sustentará o Brasil do futuro é um jovem negro, não é um jovem branco”, afirmou durante coletiva em Brasília.

De acordo com o levantamento Radar IDHM, divulgado pelo Pnud, o Brasil avançou nos índices de desenvolvimento humano entre 2012 e 2024, mas ainda mantém desigualdades significativas entre brancos e negros.

Enquanto o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da população branca passou de 0,804 em 2012 para 0,851 em 2024, o da população negra evoluiu de 0,694 para 0,774 no mesmo período.

Apesar da melhora, o levantamento mostra que a diferença entre os grupos permanece elevada. Pela classificação do Pnud, índices acima de 0,800 são considerados de desenvolvimento muito alto, enquanto números entre 0,700 e 0,799 representam desenvolvimento alto.

No geral, o Brasil alcançou, pela primeira vez, um IDHM de 0,805 em 2024, entrando oficialmente no grupo de países com desenvolvimento humano muito alto.

Segundo Betina Barbosa, o crescimento futuro do país depende da redução das desigualdades e do fortalecimento de políticas voltadas à população negra, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde esse grupo representa a maioria da população.

“Sem colocar essas pessoas dentro da equação do desenvolvimento, o país não se viabiliza”, afirmou.

O estudo também mostra diferenças expressivas em indicadores como expectativa de vida e renda. Uma pessoa branca nascida no Rio Grande do Sul vive, em média, até 81 anos, enquanto uma pessoa negra no Amapá vive cerca de 73 anos.

Na renda, a diferença também chama atenção: enquanto uma pessoa branca no Distrito Federal tem rendimento médio de R$ 1.987, uma pessoa negra no Maranhão registra renda média de R$ 440,66.

O levantamento aponta que os maiores avanços da população negra vieram das áreas de educação e saúde, mas destaca que o principal desafio para os próximos anos está na geração de renda e inclusão econômica.

Os dados foram calculados com base na PNAD Contínua do IBGE, em parceria com pesquisadores da Fundação João Pinheiro.

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