Brasil VIOLÊNCIA
Brasil registra menor taxa de homicídios da série histórica, mas estudo alerta para “ponto cego”
Atlas da Violência 2026 aponta queda nos assassinatos em 2024, mas crescimento de casos subnotificados preocupa especialistas
26/05/2026 14h32
Por: Redação Fonte: CNN Brasil / Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

BRASIL — O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o menor número da série histórica contabilizada desde 2014, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento aponta uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, representando uma queda de 7,4% em relação a 2023.

Apesar do resultado positivo nos indicadores oficiais, os pesquisadores alertam para um possível “ponto cego estatístico” causado pelo aumento da subnotificação de mortes violentas no país.

Segundo o estudo, houve crescimento significativo das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) — casos em que o Estado não consegue identificar oficialmente a causa do óbito, fazendo com que essas ocorrências fiquem fora das estatísticas tradicionais de homicídios.

Para corrigir essa distorção, os pesquisadores aplicaram um método de reclassificação e estimaram os chamados “homicídios ocultos”.

Considerando esses casos, o Brasil teria registrado 49.673 homicídios estimados em 2024, o que representaria uma queda de apenas 0,3% em relação ao ano anterior, bem abaixo da redução apontada nos registros oficiais.

Entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos cresceram 88,6%, passando de 3.755 para 7.083 casos, o equivalente a 14,3% do total estimado de homicídios no país, contra 7,6% em 2023.

Os pesquisadores destacam que, ao longo da última década, entre 2014 e 2024, o Brasil acumulou aproximadamente 55,2 mil homicídios ocultos, com média anual superior a 5 mil casos, o que exige cautela na análise da evolução dos índices de violência letal.

Em relação aos estados, as menores taxas oficiais de homicídios foram registradas em São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. Já os maiores índices ocorreram no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.

O estudo também mostra desigualdade regional expressiva. Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 das 20 cidades mais violentas do país estão no Nordeste, enquanto as 20 menos violentas concentram-se exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.

No ranking das cidades mais violentas, Maranguape (CE) lidera com taxa estimada de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes, seguida de Jequié (BA) e Maracanaú (CE).

Os dados do Atlas da Violência utilizam informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, além de registros policiais e metodologias estatísticas complementares.