PARANÁ — Pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) identificaram a presença de mercúrio e chumbo em exemplares do caranguejo-uçá (Ucides cordatus), espécie tradicionalmente consumida no litoral do Paraná. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e ainda busca entender os possíveis impactos do consumo do crustáceo para a saúde humana.
Segundo a pesquisadora Cassiana Baptista Metri, responsável pela análise, além dos contaminantes, também foram encontrados elementos considerados benéficos ao organismo, como zinco, manganês e magnésio.
“A gente encontrou contaminantes que não são desejáveis — mercúrio e chumbo — concentrados no caranguejo”, afirmou a pesquisadora.
Apesar do alerta, os resultados indicam que a presença dessas substâncias não foi constante, variando conforme a região analisada e a época do ano.
A pesquisadora destacou ainda que os caranguejos avaliados apresentaram comportamento saudável, sem sinais aparentes de comprometimento biológico.
“O caranguejo estava ótimo, saudável, estava fazendo suas atividades”, explicou.
Agora, os pesquisadores tentam descobrir se o animal consegue eliminar os metais pesados naturalmente — uma das hipóteses é de que os contaminantes possam ser descartados por meio da troca anual da carapaça.
Outra linha de investigação avalia se a própria alimentação do uçá, baseada em folhas de mangue ricas em tanino, pode atuar como um fator de proteção natural contra os efeitos tóxicos.
Apesar da identificação dos metais, os cientistas reforçam que ainda não há conclusão sobre riscos diretos à saúde humana, especialmente porque o consumo do caranguejo-uçá costuma ser sazonal e concentrado no verão, fora do período de defeso.
“É diferente de quando você come uma coisa todo dia. Alguns metais podem se acumular no organismo e não são eliminados, então isso precisa ser melhor compreendido”, explicou Cassiana.
A pesquisa ocorre nos manguezais da Baía de Paranaguá, região próxima ao Porto de Paranaguá, áreas indígenas e territórios turísticos, fatores que podem influenciar a presença de contaminantes ambientais.
Além do monitoramento da fauna marinha, o programa Rebimar também acompanha a saúde dos manguezais da região, considerados importantes aliados no combate às mudanças climáticas pela capacidade de absorção de carbono e filtragem natural da água.