Saúde BETS
Mais de 574 mil pessoas bloquearam acesso a sites de apostas no Brasil
Mais de 200 mil usuários relataram perda de controle sobre o jogo e impactos na saúde mental
27/05/2026 09h11
Por: Redação Fonte: Agência Brasil

BRASIL — Mais de 574 mil pessoas já utilizaram a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada pelo governo federal, para bloquear o próprio acesso a sites de apostas autorizados a operar no país.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, 207 mil usuários, o equivalente a 41% dos pedidos, afirmaram ter recorrido à ferramenta por perda de controle sobre as apostas e possíveis impactos na saúde mental.

Os riscos relacionados ao vazamento de dados pessoais (18%) e os problemas financeiros (12%) aparecem na sequência entre os principais motivos alegados para solicitar o bloqueio. Outros 14% não informaram a razão, enquanto 13% disseram ter tomado a decisão de forma voluntária e preventiva.

Criada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, a plataforma foi lançada em dezembro de 2025 e permite que usuários bloqueiem, de uma única vez, o acesso a todos os sites de apostas regulamentados no Brasil.

Ao solicitar a autoexclusão, o usuário pode optar por um bloqueio temporário, de um a 12 meses, ou por tempo indeterminado. Até agora, 69% das pessoas escolheram o bloqueio sem prazo para retorno, enquanto 31% optaram por períodos específicos, sendo um ano o prazo mais selecionado.

Além de impedir o acesso às contas vinculadas ao CPF do usuário, o sistema também proíbe novos cadastros em plataformas autorizadas e suspende o envio de publicidade direcionada sobre apostas.

A plataforma reúne ainda orientações sobre saúde mental, informações sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), autotestes sobre comportamento de risco e ferramentas para avaliação da saúde financeira, incluindo um questionário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de prevenção e cuidado.

“Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população”, afirmou o ministro em nota.

O Ministério da Saúde também anunciou um investimento de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no SUS, que será conduzida pela Universidade Federal de São Paulo ainda em 2026.

A recomendação do governo é que pessoas com dificuldades relacionadas às apostas procurem ajuda em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou profissionais de saúde de confiança.