BRASIL — A delegada Ana Carolina Lima Medeiros de Caldas afirmou nesta terça-feira (26), durante o julgamento da morte do menino Henry Borel, que a investigação apontou uma suposta tentativa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, de utilizar influência política após a morte da criança, ocorrida em março de 2021.
Segundo a policial, o então companheiro de Monique Medeiros teria acionado integrantes da rede hospitalar para tentar evitar que o corpo do menino fosse encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), procedimento considerado essencial para a perícia.
“Como político, família poderosa, tentáculos políticos”, declarou a delegada ao ser questionada pelo Ministério Público sobre o tipo de influência que teria sido exercida.
De acordo com a investigadora, os policiais chegaram a ouvir um dos principais executivos da rede hospitalar durante as apurações.
A delegada afirmou ainda que a possibilidade de liberação do corpo sem exames periciais “acendeu um alerta” na investigação, pois poderia comprometer a produção de provas sobre a causa da morte.
Durante o depoimento, Ana Carolina também reforçou a tese da acusação de que Monique Medeiros tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho durante a convivência com Jairinho.
Segundo a delegada, mensagens recuperadas dos celulares apreendidos e relatos da babá da criança indicariam que Henry demonstrava medo de permanecer sozinho com o padrasto.
Ela afirmou que as provas reunidas sugerem que Monique teria sido informada sobre episódios anteriores de violência.
Questionada sobre uma possível relação de submissão da mãe da criança ao então companheiro, a policial disse não ter identificado elementos que apontassem para esse cenário.
“Ela pareceu estar espontânea na relação”, afirmou.
A delegada também relatou ao júri que a investigação identificou indícios de alinhamento de versões entre os acusados após a morte do menino.
Segundo o depoimento, mensagens teriam sido apagadas dos celulares e testemunhas teriam sido orientadas a omitir conflitos familiares e relatos prévios de agressão.
O depoimento ocorreu após mais de dez horas de oitiva do delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso e primeira testemunha de acusação ouvida no segundo dia do júri.
Jairinho e Monique respondem pela morte de Henry Borel. O Ministério Público sustenta que a criança foi vítima de agressões praticadas pelo padrasto e que a mãe tinha conhecimento da violência. As defesas dos réus negam as acusações.