Economia MERCADO DE TRABALHO
Demanda por trabalhadores mantém mercado de trabalho resiliente, avalia IBGE
Taxa de desemprego cai para 5,8% no trimestre até abril e renda média do trabalhador cresce 5,3% em um ano
28/05/2026 15h43
Por: Redação Fonte: Agência Brasil / IBGE

BRASIL — A forte demanda por trabalhadores em diferentes setores da economia tem ajudado o mercado de trabalho brasileiro a manter níveis baixos de desemprego, mesmo diante de fatores externos como juros elevados e incertezas internacionais. A avaliação é da coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Adriana Beringuy.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quinta-feira (28), a taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril, uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado, quando o índice era de 6,6%.

Na comparação com o trimestre anterior, porém, houve leve alta de 0,4 ponto percentual, já que o desemprego estava em 5,4% entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

Para Adriana Beringuy, a resiliência do mercado está relacionada à diversidade de setores que seguem contratando trabalhadores.

“Hoje, não é só o setor público que contrata e nem só o setor privado. Esse espalhamento ajuda nessa resiliência do mercado de trabalho”, explicou a pesquisadora.

De acordo com o levantamento, o rendimento real habitual do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.732, permanecendo estável no trimestre e registrando crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já a massa de rendimento real habitual — soma de todos os salários pagos no país — alcançou R$ 377 bilhões, mantendo estabilidade trimestral e alta de 6,5% no ano, o equivalente a R$ 22,9 bilhões a mais.

A coordenadora do IBGE afirmou que a manutenção do emprego tem sido fundamental em um cenário de juros elevados, que encarecem o consumo das famílias.

“Mesmo com rendimento maior, as pessoas precisam permanecer no mercado de trabalho para dar conta do consumo, especialmente com taxas de juros mais altas”, afirmou.

A pesquisa também mostrou estabilidade no número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que atingiu 39,3 milhões de pessoas, enquanto os trabalhadores sem carteira permaneceram em 13,3 milhões.

O número de trabalhadores por conta própria ficou em 26 milhões, com crescimento de 2,3% em um ano, enquanto os empregados no setor público chegaram a 12,9 milhões, alta anual de 3,4%.

Já a população desalentada — pessoas que desistiram de procurar emprego — foi estimada em 2,6 milhões, registrando queda de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Sobre possíveis reflexos do conflito no Oriente Médio, Adriana Beringuy afirmou que os efeitos ainda não são perceptíveis no mercado de trabalho brasileiro.

“A princípio, os impactos aparecem mais nos preços dos combustíveis. No mercado de trabalho, ainda não é algo perceptível”, avaliou.

A PNAD Contínua é considerada a principal pesquisa sobre mercado de trabalho no país e acompanha dados de ocupação, desemprego e renda em cerca de 211 mil domicílios distribuídos por 3.500 municípios brasileiros.