Saúde SAÚDE MENTAL
Atendimentos por vício em apostas no SUS crescem quase 140% em cinco anos
Ministério da Saúde aponta aumento de dependência em jogos on-line; mais de 500 mil pessoas já pediram exclusão das bets
28/05/2026 16h12
Por: Redação Fonte: Agência Câmara de Notícias
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias

BRASIL — O Ministério da Saúde revelou que a procura por atendimento em saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) por dependência de jogos on-line aumentou quase 140% nos últimos cinco anos. Os dados foram apresentados durante audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, realizada nesta quinta-feira (28).

O crescimento dos casos ocorre em meio à expansão das apostas esportivas on-line, conhecidas como “bets”, no Brasil. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 500 mil pessoas solicitaram a exclusão voluntária dos cadastros de plataformas de apostas por tempo indeterminado, alegando perda de controle sobre os jogos. O serviço de autoexclusão está disponível pela plataforma gov.br.

A audiência foi solicitada pelo deputado federal Vander Loubet (PT-MS), que apoia o Projeto de Lei 1808/26, proposta que busca proibir apostas on-line no país.

Representando o Ministério da Saúde, Marcelo Dias afirmou que o governo precisou criar um sistema de atendimento específico dentro do aplicativo Meu SUS Digital para pessoas com sinais de dependência em jogos. Antes do atendimento, o usuário realiza um autoteste para avaliar o grau do problema.

Segundo o ministério, o mecanismo do vício funciona de forma semelhante a outros transtornos relacionados ao jogo. O apostador tende a continuar apostando após ganhos iniciais e, quando começam as perdas, surge a tentativa constante de recuperar o dinheiro perdido, agravando o comportamento compulsivo.

Já o representante do Ministério da Fazenda, Leandro Lucchesi, afirmou que o governo intensificou a regulação do setor nos últimos anos, retirando operadoras irregulares do mercado e combatendo publicidade enganosa, especialmente anúncios que apresentam apostas como forma de renda extra.

Além disso, o governo investiga mecanismos considerados manipulativos nas plataformas, como o chamado “quase ganho”, quando o jogador acredita que esteve perto de vencer, aumentando a chance de continuar apostando. Outro recurso identificado é o “ganho negativo”, situação em que o apostador perde parte do valor investido, mas recebe mensagens comemorativas que simulam vitória.

Dados do Ministério da Fazenda apontam que o Brasil tinha cerca de 25 milhões de apostadores em 2025, o equivalente a aproximadamente 18% da população adulta. O perfil predominante é de homens entre 18 e 50 anos. No ano passado, as perdas somadas chegaram a cerca de R$ 38 bilhões, enquanto o volume total movimentado pelas apostas foi quase dez vezes maior.

Ainda segundo os números apresentados, metade dos apostadores gastou até R$ 50 por mês, mas cerca de 20% desembolsaram aproximadamente R$ 1 mil mensais em apostas.

O governo também estuda mecanismos de classificação de risco dos jogos e monitoramento do nível de endividamento relacionado às apostas digitais.