Saúde SAÚDE GLOBAL
OMS confirma primeira recuperação de paciente com Ebola no surto na República Democrática do Congo
Autoridades enfrentam falta de equipamentos, ataques a centros médicos e instabilidade para conter avanço da doença
29/05/2026 18h20
Por: Redação
Mulher usa máscara do lado de fora de seu abrigo no campo de Kigonze, em Bunia, no leste da República Democrática do Congo. — Foto: GLODY MURHABAZI/AFP

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO — A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira (29) a primeira recuperação de um paciente infectado por Ebola durante o atual surto que atinge o país africano.

Segundo a organização, o paciente recebeu alta hospitalar em 27 de maio e pôde retornar à comunidade após evolução clínica positiva, sendo o primeiro caso de recuperação confirmado neste surto.

Apesar do avanço, o cenário segue preocupante. Equipes médicas atuam em meio à escassez de equipamentos, insegurança e ataques a centros de saúde em regiões afetadas pelo conflito armado.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esteve em Kinshasa para acompanhar os esforços de contenção da doença e reforçou o apoio às comunidades locais.

“Vir aqui é realmente mostrar à comunidade que ela não está sozinha”, afirmou. Ele destacou ainda a importância da atuação conjunta com a população para conter o avanço do vírus.

O surto ocorre em uma região marcada por instabilidade, deslocamento de populações e dificuldades de acesso a serviços básicos. Segundo a OMS, até terça-feira já haviam sido registrados mais de mil casos suspeitos e 238 mortes suspeitas relacionadas à doença.

Organismos internacionais têm intensificado o envio de ajuda humanitária. A União Europeia encaminhou suprimentos médicos à província de Ituri, enquanto os Estados Unidos anunciaram novos recursos financeiros para apoio emergencial.

Ainda assim, profissionais de saúde enfrentam dificuldades no atendimento, incluindo falta de insumos e, em alguns casos, uso de equipamentos fora do prazo de validade.

A resistência da população local também é um desafio, especialmente devido às medidas rígidas de controle sanitário, que entram em conflito com tradições culturais e rituais funerários.

A OMS reforça que o controle do surto depende não apenas de recursos médicos, mas também da construção de confiança com as comunidades afetadas.