Saúde SAÚDE PÚBLICA
Fundação do Câncer alerta para avanço dos vapes entre jovens e risco de aumento de casos da doença
Entidade defende medidas mais rígidas contra a publicidade e a comercialização de cigarros eletrônicos no Brasil
01/06/2026 11h23
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

BRASIL — A Fundação do Câncer fez um alerta neste domingo (31), Dia Mundial sem Tabaco, sobre o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, entre adolescentes e jovens brasileiros. Segundo a entidade, o avanço desses dispositivos pode resultar no aumento de doenças associadas ao tabagismo, incluindo diferentes tipos de câncer.

A manifestação ocorreu em sintonia com a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) deste ano, intitulada “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, que busca conscientizar a população sobre as estratégias utilizadas para atrair novos consumidores, especialmente os mais jovens.

De acordo com o diretor executivo da Fundação do Câncer, o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, os cigarros eletrônicos continuam sendo comercializados amplamente em redes sociais, sites e no mercado informal, apesar de sua venda permanecer proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009.

Segundo ele, os fabricantes têm desenvolvido novos formatos para tornar os dispositivos mais atrativos e discretos. Entre os exemplos estão os chamados “vaporizer hoodies”, moletons com vaporizadores incorporados ao tecido, permitindo o uso em ambientes públicos sem chamar atenção.

A Fundação do Câncer lançou ainda a campanha “Spoiler: ele não te ama”, dentro do Movimento Vape Off. A iniciativa utiliza relatos de jovens para alertar sobre os riscos da dependência causada pelos cigarros eletrônicos e questionar a forma como esses produtos são apresentados ao público adolescente.

A entidade também destacou que modelos mais recentes incorporam recursos tecnológicos como telas sensíveis ao toque, jogos, reprodução de músicas e sistemas de mensagens, aproximando a experiência de uso dos hábitos relacionados aos smartphones e às redes sociais.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 mostram que a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos aumentou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, quase dobrando em cinco anos.

Especialistas alertam que a exposição à nicotina durante a adolescência pode comprometer o desenvolvimento cerebral e aumentar o risco de dependência ao longo da vida. Além disso, os dispositivos podem expor usuários a substâncias potencialmente nocivas, como metais pesados, compostos orgânicos voláteis e partículas ultrafinas.

A Fundação do Câncer defende o fortalecimento das políticas públicas de controle desses produtos no Brasil, incluindo restrições à publicidade e medidas voltadas à proteção de crianças e adolescentes. Como exemplo, a entidade citou ações adotadas pela Inglaterra para reduzir o apelo dos cigarros eletrônicos entre os jovens.