
MUNDO — Uma nova terapia baseada em células-tronco está trazendo esperança para pacientes diagnosticados com Parkinson, doença neurológica que afeta mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. A técnica recebeu aprovação condicional no Japão e representa um dos avanços mais promissores na tentativa de combater a progressão da enfermidade.
Diferentemente dos tratamentos atuais, que atuam principalmente no controle dos sintomas, a nova abordagem busca enfrentar uma das principais causas da doença: a perda progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor fundamental para o controle dos movimentos.
Até o momento, o tratamento foi aplicado em sete pacientes. Segundo os pesquisadores, os resultados iniciais indicaram melhora de sintomas como os tremores, embora ainda sejam necessários estudos mais amplos para confirmar a eficácia a longo prazo e determinar se a terapia é capaz de retardar ou interromper o avanço da doença.
A aprovação concedida pelas autoridades japonesas tem caráter condicional e prevê acompanhamento dos pacientes pelos próximos sete anos. Trata-se da primeira autorização desse tipo para uma terapia celular voltada especificamente ao Parkinson.
De acordo com especialistas, tentativas anteriores de utilizar células-tronco no tratamento da doença enfrentaram dificuldades relacionadas ao crescimento descontrolado das células implantadas. A nova técnica, porém, apresentou resultados considerados seguros até agora.
Outra pesquisa que avança na mesma direção é conduzida pela empresa de biotecnologia BlueRock Therapeutics, controlada pela Bayer. O estudo utiliza células-tronco modificadas em laboratório para se transformarem em neurônios produtores de dopamina antes de serem implantadas no cérebro dos pacientes.
Atualmente, essa pesquisa encontra-se na fase 3 de testes clínicos, considerada a etapa final antes de um eventual pedido de aprovação junto às agências reguladoras. Os pesquisadores pretendem acompanhar os participantes por cerca de cinco anos para avaliar a segurança e os benefícios do tratamento.
Desde a introdução da levodopa, medicamento que ajuda a repor a dopamina no cérebro e revolucionou o tratamento do Parkinson nas últimas décadas, poucos avanços tiveram potencial semelhante para alterar o curso da doença.
Especialistas ressaltam que as novas terapias celulares ainda estão em fase de desenvolvimento e exigem acompanhamento científico contínuo. No entanto, os resultados iniciais reforçam o otimismo de que futuras estratégias possam não apenas aliviar os sintomas, mas também atuar diretamente na evolução da doença.