BRASÍLIA — O ex-presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira (1º) que a cooperação internacional deve ser priorizada no enfrentamento ao crime organizado e minimizou as preocupações relacionadas à soberania brasileira após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
As declarações foram feitas durante o Fórum de Lisboa 2026, em Portugal. Ao comentar o tema, Temer afirmou que a principal preocupação deve ser o combate às organizações criminosas e a proteção da população.
Segundo o ex-presidente, o crime organizado atua além das fronteiras nacionais e, por isso, exige articulação entre diferentes países para que as ações de combate sejam mais efetivas.
Temer destacou que a cooperação internacional já ocorre em diversas áreas de segurança pública e citou iniciativas realizadas durante sua gestão presidencial para fortalecer o combate ao tráfico de drogas nas regiões de fronteira.
Ao ser questionado sobre possíveis impactos da medida norte-americana para a soberania brasileira, o ex-presidente afirmou que considera o debate secundário diante da necessidade de enfrentar o avanço das facções criminosas.
A classificação anunciada pelo governo dos Estados Unidos ampliou o debate entre autoridades, especialistas e representantes do Judiciário sobre os possíveis efeitos da decisão para o Brasil.
Durante o mesmo evento, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, alertou que o novo enquadramento poderá gerar exigências adicionais para empresas que mantêm relações comerciais ou financeiras com instituições sujeitas à legislação norte-americana, aumentando a necessidade de mecanismos de compliance e controle.
A decisão dos Estados Unidos elevou o PCC e o Comando Vermelho ao status de organizações terroristas internacionais dentro da legislação americana, permitindo a adoção de medidas mais rigorosas de monitoramento, sanções financeiras e cooperação investigativa.
O tema continua sendo debatido por autoridades brasileiras, que avaliam os impactos jurídicos, diplomáticos e operacionais da medida para o combate ao crime organizado transnacional.