GENEBRA — A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU, alertou que o planeta pode enfrentar um episódio de El Niño moderado ou possivelmente forte nos próximos meses, o que deve elevar as temperaturas globais e aumentar o risco de eventos climáticos extremos.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico central e oriental e normalmente dura entre nove e 12 meses. Segundo a OMM, as condições atuais indicam desenvolvimento de águas mais quentes do que a média, com possibilidade de persistência do El Niño até novembro.
A agência afirmou que há incertezas sobre a intensidade do fenômeno, mas reforçou a necessidade de preparação diante dos possíveis impactos, incluindo ondas de calor, secas e chuvas intensas em diferentes regiões do planeta.
Entre os efeitos esperados estão aumento de temperaturas acima da média em grande parte do mundo, além de alterações no regime de chuvas, com maior precipitação no sul da América do Sul e em partes dos Estados Unidos, enquanto regiões como Austrália, Indonésia e partes da Ásia podem enfrentar secas.
A OMM também alertou para impactos na agricultura e na produção de alimentos, com possível redução de safras em regiões produtoras. O setor de commodities já acompanha com atenção o efeito do clima sobre culturas como o cacau, cuja produção é concentrada na África Ocidental e na América Latina.
Segundo a agência, o El Niño pode ainda agravar problemas de saúde pública, como a disseminação de doenças transmitidas por vetores, além de pressionar o abastecimento de água em áreas já vulneráveis.
Em meio ao cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o fenômeno deve ser tratado como um alerta climático urgente, destacando a relação entre eventos extremos e o aquecimento global.
A ONU reforça que o El Niño pode intensificar tendências já observadas de aumento das temperaturas globais, em um contexto de mudanças climáticas e transição energética em debate no cenário internacional.