Delegadas da Polícia Federal e da Polícia Civil alertaram, em audiência realizada na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (2), para o crescimento da violência sexual contra crianças e adolescentes na internet. Segundo especialistas, a migração de parte desses crimes para o ambiente digital ampliou o número de vítimas e tornou as investigações mais complexas.
O debate ocorreu durante reunião da comissão externa da Câmara voltada à prevenção de abusos contra crianças e adolescentes. Na ocasião, autoridades apresentaram dados, perfis de vítimas e criminosos, além de sugestões para fortalecer o combate a esse tipo de violência.
A delegada da Polícia Federal Rafaella Parca afirmou que a violência sexual passou a alcançar proporções muito maiores com o uso da internet.
Segundo ela, criminosos que antes tinham contato direto com um número limitado de vítimas agora conseguem atingir centenas de crianças e adolescentes por meio de plataformas digitais, redes sociais e aplicativos de comunicação.
Rafaella Parca destacou que uma das prioridades da Polícia Federal é concentrar esforços na identificação e repressão dos produtores de conteúdos relacionados à exploração sexual infantojuvenil, além de acelerar investigações para garantir maior eficácia das ações judiciais.
A delegada também ressaltou a importância do Projeto Guardião da Infância, iniciativa voltada à prevenção e ao incentivo para que vítimas denunciem situações de abuso.
Durante a audiência, a delegada da Polícia Civil de São Paulo Lisandrea Colabuono apresentou o perfil predominante das vítimas. Segundo ela, a maioria dos casos envolve meninas entre 6 e 14 anos que são aliciadas por criminosos em chats de jogos online e outras plataformas digitais.
Após estabelecer contato e ganhar a confiança das vítimas, os criminosos induzem o envio de imagens ou vídeos íntimos e, posteriormente, utilizam esse material para praticar extorsão e ameaças.
A delegada também chamou atenção para a participação de adolescentes entre os investigados por esse tipo de crime e para a relação entre comunidades virtuais e outras práticas criminosas, incluindo episódios de violência extrema.
O deputado Osmar Terra (PL-RS), responsável pela realização da audiência, defendeu a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Ele também pediu rapidez na tramitação do Projeto de Lei 3066/2025, que aumenta as penas para crimes sexuais cometidos contra menores de idade e já foi aprovado pela Câmara dos Deputados.
O procurador da República George Lodder também participou do debate e defendeu medidas para ampliar a efetividade dos processos e das execuções penais relacionadas a esses crimes.
Durante a audiência, foi destacado ainda que a chamada Lei do ECA Digital determina que provedores de serviços que atuam no Brasil comuniquem às autoridades casos envolvendo exploração sexual, abuso, sequestro e aliciamento de crianças e adolescentes. Desde março deste ano, os registros passaram a ser centralizados em um centro nacional coordenado pela Polícia Federal.
Especialistas reforçaram que o combate à violência sexual infantojuvenil exige ações integradas entre autoridades, plataformas digitais, famílias e instituições de ensino para ampliar a prevenção e garantir a proteção das vítimas.