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Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem chegar a 37,5%, diz governo

Sobretaxa reúne duas medidas propostas pelos Estados Unidos; governo brasileiro mantém negociações e busca reverter cobranças

Por: Redação Fonte: g1 / GloboNews
03/06/2026 às 16h25
Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem chegar a 37,5%, diz governo
Lula durante reunião ministerial nesta terça-feira (31). — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

BRASÍLIA — As tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem alcançar 37,5%, caso todas as medidas anunciadas pelo governo norte-americano sejam implementadas. A avaliação é compartilhada por diferentes áreas do governo federal, incluindo o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O percentual resulta da soma de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A primeira prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que determinadas práticas comerciais adotadas pelo Brasil restringiriam ou onerariam o comércio com empresas norte-americanas.

A segunda medida, divulgada nesta semana, envolve uma lista de 60 países que, segundo o governo dos Estados Unidos, não adotam mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos ligados ao trabalho forçado. Nesse caso, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5%.

Se aplicadas simultaneamente, as duas cobranças elevariam a tarifa total para 37,5%, percentual próximo dos cerca de 40% que chegaram a ser adotados em medidas semelhantes no passado.

O tema foi discutido nesta quarta-feira (3) durante encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, à margem de reuniões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.

Segundo interlocutores do governo brasileiro, Greer afirmou que os Estados Unidos permanecem abertos ao diálogo, enquanto Mauro Vieira defendeu o aprofundamento das negociações para evitar a aplicação das tarifas.

De acordo com integrantes da delegação brasileira, os dois países mantêm um canal permanente de comunicação dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em Washington.

Apesar da escalada das tensões comerciais, a avaliação do governo brasileiro é de que ainda existe espaço para negociação.

Durante reunião ministerial realizada nesta quarta-feira no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as medidas anunciadas pelos Estados Unidos e afirmou que o Brasil não aceitará o tratamento recebido.

Lula também sinalizou que pretende enviar uma nova carta ao presidente Donald Trump para contestar as tarifas e defender a posição brasileira. O presidente ainda reforçou a defesa do Pix, sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central e citado em documentos americanos como exemplo de prática comercial questionada.

Segundo integrantes do governo, a estratégia brasileira será tentar negociar separadamente cada uma das medidas tarifárias, buscando reduzir ou eliminar parte das sobretaxas propostas pelos Estados Unidos.

As negociações continuam em andamento e novas reuniões entre representantes dos dois países devem ocorrer nas próximas semanas.

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