BRASÍLIA — A fiscalização do trabalho análogo à escravidão no Brasil voltou ao centro do debate internacional após o governo dos Estados Unidos propor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
A medida foi sugerida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou falhas na prevenção e no combate ao trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas relacionadas ao comércio internacional.
Segundo especialistas ouvidos pela imprensa, o Brasil enfrenta dificuldades para manter uma estrutura de fiscalização compatível com os padrões recomendados por organismos internacionais. Entre os principais desafios estão a redução do número de auditores fiscais do trabalho, limitações orçamentárias e dificuldades para monitorar cadeias produtivas cada vez mais complexas e globalizadas.
A proposta americana considera que a ausência de mecanismos mais rigorosos para impedir a circulação de produtos associados ao trabalho forçado pode gerar vantagens competitivas indevidas em relação às empresas dos Estados Unidos.
O tema ganhou importância após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo governo americano, que incluiu o Brasil em uma lista de países sujeitos a novas tarifas relacionadas ao combate insuficiente ao trabalho forçado.
A discussão ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais entre os dois países. Além dessa medida, o governo americano também analisa outras sobretaxas sobre produtos brasileiros em diferentes frentes de investigação.
Representantes do setor produtivo alertam que eventuais barreiras comerciais podem impactar exportações, investimentos e a competitividade da indústria nacional. Ao mesmo tempo, especialistas defendem o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e rastreabilidade para reduzir riscos comerciais e ampliar a credibilidade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
O governo brasileiro segue negociando com autoridades americanas para tentar evitar a aplicação das novas tarifas e buscar soluções diplomáticas para a questão.