A entrada em vigor da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos colocou o Brasil em um cenário já vivido por outros países da América Latina.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, experiências registradas em países como México, Colômbia e Venezuela indicam que a medida costuma gerar aumento da pressão financeira sobre organizações criminosas e seus apoiadores, além de impactos indiretos sobre empresas e investidores.
Com a classificação, PCC e CV passam a integrar listas de sanções do governo norte-americano, ao lado de grupos como o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração, do México; o Trem de Arágua, da Venezuela; e o Clã do Golfo, da Colômbia.
A medida permite o bloqueio de bens localizados nos Estados Unidos e amplia o monitoramento de movimentações financeiras relacionadas aos grupos. Também pode atingir pessoas físicas e jurídicas que prestem apoio material, financeiro ou operacional às organizações.
Especialistas afirmam que, nos países onde a política foi aplicada, houve aumento das exigências de compliance, maior fiscalização de transações bancárias e crescimento dos custos para empresas que mantêm relações comerciais internacionais.
No México, por exemplo, bancos passaram a enfrentar controles mais rigorosos e empresas registraram aumento de custos logísticos e de seguros em regiões afetadas pela atuação de cartéis. Além disso, autoridades americanas ampliaram sanções contra indivíduos e empresas supostamente ligados às organizações criminosas.
Na Colômbia, a pressão dos Estados Unidos também atingiu figuras políticas e setores econômicos associados a investigações sobre narcotráfico e lavagem de dinheiro.
Já na Venezuela, especialistas identificam sinais de enfraquecimento do Trem de Arágua após a intensificação das ações internacionais, embora ressaltem que ainda é cedo para medir os efeitos de longo prazo da estratégia.
Apesar do endurecimento das medidas, especialistas destacam que ainda não existem evidências conclusivas de que a classificação como organização terrorista tenha reduzido significativamente os índices de criminalidade ou enfraquecido de forma definitiva os grupos criminosos.
Outro ponto observado é que as sanções podem gerar desafios para empresas e instituições financeiras, que passam a adotar mecanismos mais rígidos de controle para evitar vínculos diretos ou indiretos com organizações incluídas nas listas de terrorismo.
Para analistas, a experiência internacional demonstra que os efeitos mais imediatos costumam ocorrer no sistema financeiro e nas relações econômicas, enquanto os impactos sobre a atividade criminosa tendem a depender de ações coordenadas entre governos, forças de segurança e organismos internacionais.