A União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. A decisão foi publicada nesta semana e passa a valer a partir de 3 de setembro de 2026, atingindo principalmente as exportações de carnes bovina, suína, de aves e equina, além de pescado, mel e outros produtos do setor agropecuário.
Segundo a Comissão Europeia, a medida foi adotada após o Brasil não apresentar informações consideradas suficientes para comprovar o cumprimento das exigências sanitárias relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
A legislação europeia estabelece regras rígidas para o uso dessas substâncias, especialmente aquelas classificadas como importantes para a saúde humana. O objetivo é evitar o desenvolvimento de resistência antimicrobiana, considerada uma das principais ameaças sanitárias globais.
O veto representa um novo desafio para o agronegócio brasileiro. Embora a União Europeia não seja atualmente o principal destino das carnes brasileiras, o bloco ainda movimenta um mercado bilionário para produtos de maior valor agregado.
Dados do setor apontam que as exportações brasileiras de produtos de origem animal para os países europeus movimentam cerca de US$ 1,8 bilhão por ano. Caso a restrição seja mantida, especialistas estimam perdas que podem superar os US$ 2 bilhões anuais.
Enquanto o Brasil foi excluído da lista de exportadores autorizados, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, continuam habilitados a vender seus produtos para o mercado europeu.
O governo brasileiro informou que busca diálogo com as autoridades europeias para tentar reverter a decisão antes da entrada em vigor da medida. Representantes do setor agropecuário também defendem que o país possui um dos sistemas sanitários mais rigorosos do mundo e afirmam que trabalharão para atender às exigências do bloco.
A decisão ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais internacionais e pode trazer novos desafios para as negociações envolvendo o acordo entre Mercosul e União Europeia, além de pressionar ainda mais a competitividade do agronegócio nacional no mercado externo.