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Governo brasileiro espera reunião com representante dos EUA para discutir novo tarifaço

Encontro deve ocorrer na próxima semana e faz parte das negociações para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros

Por: Redação Fonte: InfoMoney / Agência O Globo.
08/06/2026 às 10h12
Governo brasileiro espera reunião com representante dos EUA para discutir novo tarifaço
3 de junho de 2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião Ministerial. Palácio do Planalto - Brasília-DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O governo federal espera realizar, na próxima semana, uma reunião por videoconferência com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir as tarifas anunciadas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A expectativa é que participem do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

A reunião integra o grupo de trabalho criado após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado em maio deste ano na Casa Branca. O objetivo é buscar alternativas para evitar a aplicação das novas tarifas propostas pelo governo americano.

Nos últimos dias, os Estados Unidos divulgaram relatórios resultantes de investigações comerciais conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Um dos documentos recomenda a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que determinadas políticas e práticas adotadas pelo Brasil prejudicariam interesses comerciais norte-americanos.

Além disso, outra investigação propôs uma tarifa adicional de até 12,5% para países que, segundo o governo americano, não adotam mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado em suas cadeias produtivas. O Brasil está entre os países citados no relatório.

Na quarta-feira, Mauro Vieira conversou com Jamieson Greer durante reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. Segundo o chanceler brasileiro, o representante americano afirmou que o diálogo entre os dois países continua aberto e que as conversas têm sido positivas.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que existe maior possibilidade de negociação em relação à tarifa de 25% do que à sobretaxa ligada ao tema do trabalho forçado, já que essa medida também atinge países considerados aliados dos Estados Unidos.

O governo brasileiro também estuda alternativas para fortalecer as negociações, incluindo a ampliação do acesso de determinados produtos americanos ao mercado brasileiro em setores específicos, como equipamentos médicos e tecnologia.

Prazo para negociação

O Brasil tem até 15 de julho para tentar evitar a aplicação das novas tarifas. Antes da decisão final, o governo americano realizará uma audiência pública para ouvir representantes de empresas, entidades e organizações interessadas dos dois países.

Caso não haja acordo, as medidas poderão impactar diversos setores da economia brasileira, especialmente aqueles voltados à exportação para o mercado norte-americano.

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