Polícia NARCOTRÁFICO
PF identifica mudança em rota da cocaína para a Europa e aumento do uso de barcos pesqueiros
Investigações apontam que organizações criminosas estão reduzindo o uso de contêineres e ampliando operações marítimas para driblar a fiscalização.
09/06/2026 13h41
Por: Redação Fonte: Jornal de Brasília, Polícia Federal, Agência Estado e UOL.

A Polícia Federal identificou uma mudança nas estratégias utilizadas por organizações criminosas para enviar cocaína do Brasil à Europa. Segundo investigações recentes, traficantes passaram a reduzir a utilização de contêineres em portos brasileiros e intensificaram o uso de embarcações pesqueiras e outras operações marítimas em alto-mar para transportar grandes carregamentos da droga.

De acordo com a PF, a alteração nas rotas e nos métodos de envio ocorre em meio ao aumento da fiscalização em portos e terminais de carga, especialmente após sucessivas apreensões realizadas nos últimos anos. Mesmo assim, o uso de contêineres ainda continua sendo monitorado pelas autoridades e segue sendo utilizado por grupos criminosos em algumas operações.

As investigações mais recentes revelaram ao menos sete missões marítimas utilizadas para transportar cocaína do Brasil até o continente europeu. Segundo os investigadores, o esquema contava com uma estrutura internacional complexa, envolvendo financiadores no exterior, operadores logísticos em território brasileiro e células responsáveis pelo transporte e armazenamento da droga.

A mudança de estratégia tem levado a Polícia Federal a reforçar o combate ao narcotráfico marítimo. Em abril deste ano, a corporação lançou o Programa S.O.M.A., iniciativa voltada ao fortalecimento da inteligência e da fiscalização em rotas marítimas, com uso de tecnologia e cooperação internacional para identificar embarcações suspeitas.

Operações recentes também demonstram a dimensão do problema. Em janeiro, uma ação internacional com participação da PF resultou na apreensão de quase 10 toneladas de cocaína em uma embarcação interceptada em águas internacionais próximas às Ilhas Canárias. Em fevereiro, outra operação apreendeu cerca de 1,3 tonelada da droga em alto-mar.

Segundo especialistas em segurança pública, o aumento da vigilância em portos e aeroportos tem levado facções criminosas a buscar alternativas logísticas mais difíceis de monitorar, ampliando o uso de rotas marítimas de longa distância e embarcações menores para tentar escapar das ações policiais.

As autoridades brasileiras mantêm cooperação com forças policiais da Europa e de outros países para rastrear as novas rotas do tráfico internacional e identificar integrantes de organizações criminosas envolvidos nas operações.