BRASIL — Representantes de religiões de matriz africana e gestores públicos denunciaram episódios de intolerância religiosa e racismo durante audiência realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
Segundo dados apresentados no encontro, o Disque 100 registrou cerca de 2,7 mil denúncias relacionadas à intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Entre os grupos mais afetados estão praticantes da umbanda, do candomblé e de outras religiões afro-brasileiras.
Durante a audiência, representantes do governo federal afirmaram que o racismo religioso continua sendo um problema estrutural no país. Também foram apresentados resultados de pesquisas indicando relatos frequentes de discriminação, ameaças, agressões verbais e dificuldades enfrentadas por comunidades tradicionais de terreiro.
Lideranças religiosas defenderam o reconhecimento dos terreiros como territórios tradicionais e pediram maior proteção institucional para garantir a liberdade de culto e a preservação de práticas culturais e religiosas.
Representantes do Ministério da Igualdade Racial destacaram a implementação da Política Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana, criada por decreto federal, como uma das iniciativas voltadas ao fortalecimento das ações de combate à discriminação.
A audiência foi proposta pela deputada federal Erika Hilton, que defendeu a ampliação do debate sobre liberdade religiosa e medidas de enfrentamento ao racismo religioso.
Os participantes também ressaltaram a importância da criação e ampliação de políticas públicas voltadas à proteção dos povos tradicionais de matriz africana e ao combate à intolerância religiosa em todo o país.