BRASIL — O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) negou que tenha alterado os critérios de correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e informou que estuda utilizar inteligência artificial para agilizar a divulgação das avaliações pedagógicas dos candidatos. A declaração foi feita durante audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.
O debate ocorreu após estudantes questionarem possíveis inconsistências nas notas da edição de 2025 e levantarem dúvidas sobre eventuais mudanças nos critérios de avaliação da redação.
Segundo o diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Eduardo Carvalho Sousa, a matriz de referência utilizada para corrigir as redações permanece a mesma desde 2009. De acordo com ele, o que ocorreu foi um aumento do rigor na identificação de textos produzidos a partir de modelos padronizados ou redações consideradas “pré-prontas”.
O representante do Inep explicou ainda que cada redação continua sendo corrigida por dois avaliadores independentes e que, quando há divergência significativa entre as notas, o texto passa por uma nova análise.
Durante a audiência, o instituto informou que pretende iniciar testes com empresas de tecnologia para avaliar a utilização de inteligência artificial no processo de correção e análise das redações. O objetivo seria acelerar a divulgação da chamada folha espelho e das avaliações pedagógicas, atualmente disponibilizadas cerca de 60 dias após a divulgação das notas oficiais.
Representantes estudantis defenderam mais transparência nos critérios de avaliação e demonstraram preocupação com o uso da tecnologia. Eles alertaram para a necessidade de controle e supervisão humana para evitar possíveis distorções na análise dos textos.
O tema ganhou repercussão após estudantes relatarem nas redes sociais queda nas notas da redação do Enem 2025 e levantarem suspeitas sobre mudanças na correção, hipótese que voltou a ser negada pelo Inep durante a audiência.