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Estudo alerta que mexilhões podem acumular microplásticos e transmiti-los a humanos

Pesquisa da Unirio indica que moluscos não conseguem diferenciar partículas plásticas de alimentos naturais

Por: Redação Fonte: Agência Brasil.
15/06/2026 às 15h31
Estudo alerta que mexilhões podem acumular microplásticos e transmiti-los a humanos
© joycemay/Pixabay

BRASIL — Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) aponta que os mexilhões podem acumular microplásticos em seus organismos e, consequentemente, transferir essas partículas para seres humanos por meio da alimentação. A pesquisa foi divulgada nesta segunda-feira (15) e publicada na revista científica Ocean and Coastal Research.

Os cientistas analisaram exemplares da espécie conhecida como mexilhão-marrom (Perna perna), coletados na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Em laboratório, os pesquisadores observaram o comportamento dos moluscos diante de diferentes condições de alimentação contendo microalgas, microplásticos e uma mistura dos dois elementos.

Segundo os resultados, os mexilhões não conseguem distinguir as partículas plásticas dos alimentos naturais. Durante os testes, os organismos consumiram microalgas e microplásticos de forma praticamente equivalente, demonstrando ausência de seletividade durante o processo de filtração da água.

Os pesquisadores alertam que os microplásticos podem transportar substâncias químicas potencialmente nocivas. Como os mexilhões são organismos filtradores, eles tendem a acumular contaminantes presentes no ambiente marinho, que podem chegar à cadeia alimentar humana por meio do consumo desses frutos do mar.

De acordo com os autores do estudo, o cozimento dos alimentos não elimina esse tipo de contaminação. Diferentemente de alguns microrganismos, os microplásticos e outros contaminantes químicos permanecem presentes mesmo após o preparo dos alimentos.

A preocupação com a presença de microplásticos nos oceanos vem crescendo nos últimos anos. Pesquisas recentes já identificaram essas partículas em peixes comercializados no litoral brasileiro, além de registros em outros organismos marinhos e até em tecidos humanos.

Os autores defendem a ampliação de políticas públicas para redução do descarte de resíduos plásticos nos mares e o monitoramento constante das áreas de cultivo de organismos marinhos, como forma de reduzir os riscos ambientais e proteger a segurança alimentar da população.

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