Economia MERCADO DE TRABALHO
Trabalhadores priorizam tempo e qualidade de vida acima do salário, aponta estudo
Pesquisas indicam mudança nas prioridades profissionais, com foco em equilíbrio emocional, flexibilidade e bem-estar
17/05/2026 14h14
Por: Redação Fonte: CNI, WeWork/Offerwise, Gupy, Deloitte e Fortune
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BRASIL — O desejo de crescer profissionalmente continua presente entre os trabalhadores, mas uma mudança de comportamento vem transformando a relação com o mercado de trabalho. Cada vez mais profissionais têm priorizado qualidade de vida, flexibilidade e equilíbrio emocional, deixando o salário como único fator decisivo na escolha de um emprego.

Levantamentos recentes apontam que benefícios como tempo livre, bem-estar e autonomia passaram a ter peso semelhante — ou até superior — ao avanço hierárquico tradicional.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que crescimento e plano de carreira aparecem como principal critério para o “emprego ideal”, citados por 20,4% dos entrevistados. Salário e benefícios aparecem em seguida, mencionados por 13,6%.

Ao mesmo tempo, pesquisa realizada pela WeWork em parceria com a Offerwise revelou que 64% dos profissionais aceitariam trocar de emprego por uma rotina com melhor qualidade de vida, mesmo que isso significasse ganhar menos.

Outro fator apontado como desgaste é o deslocamento diário até o trabalho. Segundo o estudo, 65% dos trabalhadores consideram o trajeto presencial um dos principais fatores de cansaço, enquanto 53% afirmam ter aumento de gastos com transporte e alimentação.

A busca por equilíbrio também aparece em outro dado: 93% dos entrevistados disseram considerar essencial conciliar vida pessoal e profissional. O resultado ajuda a explicar a resistência ao retorno integral ao trabalho presencial em diversas empresas.

Além disso, questões relacionadas à saúde mental ganharam protagonismo. Dados da Previdência Social compilados pela Gupy apontam mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais no Brasil em 2025.

Especialistas observam que o conceito de sucesso profissional tem passado por transformação, especialmente entre trabalhadores mais jovens, que valorizam propósito, bem-estar e flexibilidade na relação com o trabalho.

A percepção, segundo os estudos, não indica o fim da ambição profissional, mas uma redefinição do que significa crescimento na carreira.