BRASÍLIA (DF) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve aguardar um cenário político mais favorável antes de indicar um novo nome para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo interlocutores do Palácio do Planalto.
A cadeira está vaga desde outubro do ano passado, após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A demora na indicação ocorre após a rejeição, pelo Senado, do nome do ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), em uma derrota considerada histórica para o governo.
Entre os fatores que pesam na decisão do presidente está a relação ainda desgastada com a cúpula do Senado. Nos bastidores, interlocutores afirmam que Lula avalia que o ambiente político no Congresso ainda não é favorável para uma nova indicação.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda não teria retomado plenamente o diálogo com o Palácio do Planalto, o que aumenta a cautela do governo na escolha do próximo indicado.
Outro ponto considerado pelo presidente é o cenário eleitoral de 2026. A avaliação no entorno de Lula é de que qualquer nome indicado neste momento poderá virar alvo de críticas políticas em meio ao ambiente de polarização e disputa antecipada pela Presidência.
Aliados do presidente também demonstram preocupação para que uma eventual escolha não seja interpretada como tentativa de pressionar o Congresso após a rejeição anterior.
Nos bastidores, ainda existe debate sobre a possibilidade de Lula indicar uma mulher para a Corte, tema frequentemente defendido por setores aliados e movimentos sociais, embora não haja definição oficial sobre nomes.
A expectativa no meio político é de que a decisão sobre a vaga no STF aconteça apenas quando o governo avaliar existir maior estabilidade institucional e política.