WASHINGTON — O aumento da pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o México tem alimentado especulações em Washington sobre uma possível escalada militar contra cartéis mexicanos, segundo análise publicada pelo jornalista Andrés Oppenheimer no jornal Estadão.
De acordo com a coluna, interlocutores políticos ouvidos pelo analista avaliam que, caso Trump continue registrando queda nas pesquisas de aprovação e o conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã se prolongue, o republicano poderia intensificar ações contra organizações criminosas mexicanas.
A hipótese levantada pelo colunista seria a de um eventual ataque direcionado a cartéis do narcotráfico, medida que, segundo a análise, teria potencial de mobilizar setores nacionalistas do eleitorado americano antes das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.
A discussão ganhou força após a divulgação da nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo da Casa Branca, publicada em 6 de maio, que passou a classificar o narcotráfico internacional como uma das principais ameaças à segurança nacional dos EUA.
O documento afirma que o governo americano poderá atuar contra cartéis “com ou sem consentimento” de governos estrangeiros, caso considere insuficiente a cooperação local no combate ao crime organizado.
Em declarações recentes, Trump também elevou o tom contra o governo mexicano, afirmando que, caso o México “não faça seu trabalho contra os cartéis”, os Estados Unidos poderão agir.
Paralelamente, o governo americano ampliou investigações envolvendo consulados mexicanos em território norte-americano e autoridades mexicanas passaram a ser alvo de investigações judiciais ligadas ao narcotráfico.
Apesar do cenário de tensão, especialistas citados na análise apontam que um ataque militar unilateral ao México ainda enfrentaria obstáculos diplomáticos, econômicos e comerciais, especialmente pela forte dependência econômica entre os dois países.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, mantém posição de defesa da soberania mexicana diante do endurecimento do discurso norte-americano.
A reportagem ressalta, no entanto, que não há qualquer anúncio oficial de ação militar por parte da Casa Branca, e que o cenário apresentado faz parte de análises políticas e especulações de bastidores em Washington.