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Banco ligado a Edir Macedo investe em fundos com terreno sem licença e área protegida no litoral do RJ, diz reportagem

Digimais teria aportado recursos em empreendimento parado em Pernambuco e em área ambiental de Paraty alvo de disputas fundiárias

Por: Redação Fonte: Estadão — reportagem de Luiz Vassallo, Marcelo Godoy, Jenne Andrade e Fausto Macedo (18/05/2026)
19/05/2026 às 13h33
Banco ligado a Edir Macedo investe em fundos com terreno sem licença e área protegida no litoral do RJ, diz reportagem

SÃO PAULO — O banco Digimais, ligado ao líder da Igreja Universal, Edir Macedo, realizou investimentos em fundos associados a um empreendimento sem licença para construção em Pernambuco e a uma área ambientalmente protegida no litoral do Rio de Janeiro, segundo reportagem publicada pelo Estadão.

De acordo com a apuração, os investimentos envolvem dois fundos que, juntos, somam patrimônio estimado em R$ 526 milhões. Um deles está ligado a um projeto imobiliário na cidade de Goiana (PE), enquanto o outro possui participação em uma empresa proprietária de terrenos na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty (RJ).

Segundo o jornal, o fundo ID Goiana foi criado para desenvolver um condomínio em uma área de cerca de 700 hectares, localizada em um antigo engenho no município pernambucano. No entanto, o empreendimento ainda não possui autorização da prefeitura e não há obras iniciadas no local.

Já no Rio de Janeiro, o fundo Cajaíba teria patrimônio de R$ 419 milhões e participação em uma empresa dona de áreas na Praia Grande da Cajaíba, região isolada e protegida por normas ambientais e sociais, onde vivem comunidades caiçaras. O local é historicamente marcado por conflitos fundiários e disputas sobre propriedade de terras.

A reportagem afirma ainda que a área já esteve no centro de controvérsias judiciais e ambientais, incluindo tentativas frustradas de aprovação de um resort de luxo no local. Representantes da empresa proprietária negaram intenção de retomar esse projeto e disseram estudar iniciativas de preservação ambiental ligadas à geração de créditos de biodiversidade.

O Estadão também afirma que os aportes ocorreram durante um período de crise financeira do Digimais, instituição que estaria sendo negociada no mercado. O banco é citado em investigações sobre supostas irregularidades financeiras.

O Digimais e a Igreja Universal foram procurados pela reportagem, mas, segundo o jornal, não se manifestaram. Já representantes da empresa ligada às terras em Paraty afirmaram que todos os processos relacionados à propriedade seguem regularmente na Justiça e que o banco possui participação minoritária no investimento.

Nos últimos meses, o banco entrou em negociações para uma possível aquisição pelo BTG Pactual, operação ainda sujeita a aprovação e condições regulatórias.

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