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Agência de ex-marketeiro de Flávio Bolsonaro acumula R$ 99 milhões em contratos com governo federal

Contratos começaram no governo Bolsonaro e foram renovados na gestão Lula; empresa já recebeu R$ 39,7 milhões

Por: Redação Fonte: g1 / Portal de Compras do Governo Federal
21/05/2026 às 10h12

BRASÍLIA (DF) — A agência de publicidade Cálix Propaganda, pertencente ao publicitário Marcello Lopes, ex-coordenador de comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), acumulou R$ 99,2 milhões em contratos empenhados pelo governo federal entre abril de 2022 e maio de 2026, segundo dados do Portal de Compras do Governo Federal.

Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”, é ex-policial civil, amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro e anunciou nesta semana sua saída da pré-campanha presidencial do parlamentar.

De acordo com os dados oficiais, os contratos da empresa foram firmados inicialmente durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após licitações públicas, e tiveram continuidade na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio de renovações contratuais.

O principal contrato da empresa foi assinado em dezembro de 2021, junto ao então Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado à época por Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O acordo previa até R$ 55 milhões anuais para prestação de serviços de publicidade.

Já o segundo contrato foi firmado em 2022 com o então Ministério da Infraestrutura, então comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo. O valor estimado do acordo é de até R$ 14,9 milhões por ano.

Segundo o levantamento, juntos, os contratos geraram R$ 91,8 milhões em empenhos, mas o valor total pode chegar a R$ 99,2 milhões, considerando juros, multas e restos a pagar acumulados ao longo do período.

Os dados do governo mostram ainda que a empresa recebeu R$ 39,7 milhões desde a assinatura dos contratos. Desse total, R$ 22,6 milhões foram pagos dentro do mesmo exercício fiscal, enquanto R$ 17 milhões foram quitados em anos seguintes por meio dos chamados “restos a pagar” — mecanismo orçamentário usado para despesas empenhadas, mas não pagas no mesmo ano.

Atualmente, segundo o Portal de Compras, o governo federal ainda teria cerca de R$ 59,6 milhões pendentes de pagamento, incluindo valores referentes a anos anteriores.

Os contratos foram renovados ao longo da gestão Lula e seguem vigentes. O contrato relacionado ao atual Ministério dos Transportes, por exemplo, foi prorrogado até 2027.

Em nota ao g1, Marcello Lopes afirmou que deixou a coordenação de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro para focar na própria empresa. O publicitário Eduardo Fischer assumirá a comunicação do senador.

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