
BRASIL — Uma parceria entre a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza apresentou um conjunto de recomendações para fortalecer políticas públicas de adaptação climática em municípios brasileiros.
A iniciativa defende o uso das chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que incluem ações como preservação de áreas verdes, recuperação de matas ciliares, restauração de manguezais e revegetação de encostas. A proposta busca reduzir os impactos de eventos climáticos extremos e, ao mesmo tempo, diminuir deslocamentos forçados de populações afetadas por desastres.
Segundo as instituições, a adoção dessas estratégias pode ajudar cidades a enfrentar problemas como enchentes, deslizamentos, secas, ondas de calor, erosão costeira e incêndios florestais.
O documento destaca que cerca de 66% dos municípios brasileiros possuem baixa ou muito baixa capacidade de adaptação diante de eventos climáticos extremos, o que amplia a vulnerabilidade da população.
Representantes da OIM afirmam que a integração entre políticas ambientais e humanitárias é essencial para aumentar a resiliência das comunidades e prevenir crises sociais decorrentes de desastres naturais.
Já a Fundação Grupo Boticário reforça que o acesso de gestores públicos a conhecimento técnico e ferramentas de planejamento é fundamental para a implementação das soluções.
Além das recomendações, a iniciativa também destaca ferramentas de apoio, como plataformas digitais de mapeamento de risco e programas de capacitação de gestores municipais, que ajudam na identificação de áreas vulneráveis e na escolha das melhores intervenções ambientais.
O tema também ganha relevância global. Segundo o Fórum Econômico Mundial, deslocamentos forçados causados por eventos climáticos estão entre os principais riscos para a economia mundial nos próximos anos.