Sábado, 13 de Junho de 2026
16°C 22°C
Jacareí, SP

Projeto no Senado quer criminalizar lucro com discurso de ódio nas redes sociais

Proposta prevê prisão de até cinco anos para quem monetizar, financiar ou impulsionar conteúdos discriminatórios

Por: Redação Fonte: Agência Senado
25/05/2026 às 10h22
Projeto no Senado quer criminalizar lucro com discurso de ódio nas redes sociais
Antonio Guillen Fernández/Stockphotos Fonte: Agência Senado

BRASIL — Um projeto de lei em tramitação no Senado Federal pretende criminalizar a monetização do discurso de ódio em plataformas digitais. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para quem lucrar com a criação, disseminação ou impulsionamento de conteúdos discriminatórios, incluindo aqueles motivados por gênero ou orientação sexual.

O Projeto de Lei (PL) 1897/2026, apresentado pela senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO), altera a Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes resultantes de preconceito e discriminação.

Pelo texto, também poderão ser responsabilizados criminalmente aqueles que intermediarem, patrocinarem, financiarem ou impulsionarem conteúdos considerados discurso de ódio, além de gestores de programas de afiliados e responsáveis por oferecer infraestrutura para disseminação dessas publicações.

A pena poderá ser ampliada entre um terço e metade caso sejam utilizadas ferramentas como anúncios pagos, redes automatizadas, contas falsas ou mecanismos para ocultar a origem dos recursos financeiros envolvidos na divulgação do conteúdo. O aumento também poderá ocorrer em situações de grande alcance ou disseminação das mensagens.

Na justificativa do projeto, a autora afirma que a proposta busca combater o modelo de negócio que transforma violência e discriminação em conteúdo lucrativo nas redes sociais.

Segundo a senadora, discursos de ódio ultrapassam o ambiente virtual e podem impactar comportamentos sociais, principalmente entre jovens. O texto cita investigações relacionadas a um caso de violência sexual no Rio de Janeiro, no qual envolvidos teriam tido contato com comunidades on-line associadas ao universo “Red Pill”.

O termo “Red Pill” é frequentemente ligado a grupos digitais que promovem discursos misóginos e ideias de inferiorização ou manipulação feminina nas relações sociais, embora existam diferentes vertentes dentro do movimento.

O projeto segue em tramitação no Senado e ainda passará pelas comissões temáticas antes de eventual votação em plenário.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários