
BRASIL — Eleitores indecisos monitorados pelo jornal O Globo demonstraram desconfiança tanto em relação ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quanto às recentes medidas econômicas anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O grupo, formado por eleitores considerados estratégicos para o resultado das eleições presidenciais deste ano, avaliou como pouco convincentes as justificativas apresentadas por Flávio após a divulgação de informações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O episódio envolve um pedido de recursos financeiros para a produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde que os áudios vieram a público, Flávio apresentou diferentes explicações sobre a aproximação com o empresário, o que gerou críticas entre parte dos entrevistados.
Entre os eleitores ouvidos, alguns relataram desconfiança sobre a origem e a destinação dos recursos ligados ao projeto audiovisual, além de apontarem desgaste na imagem pública do senador. Também houve críticas às diferentes versões dadas pelo parlamentar após a repercussão do caso.
A reação do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que criticou Flávio publicamente, também foi analisada pelos indecisos. Enquanto alguns enxergaram oportunismo político, outros consideraram a postura adequada diante da crise.
Ao mesmo tempo, o grupo demonstrou ressalvas em relação às iniciativas econômicas recentes do governo federal, especialmente ao relançamento do programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas.
Parte dos entrevistados classificou o programa como uma medida positiva, mas questionou o momento de implementação, associando a iniciativa ao calendário eleitoral. Outros relataram benefícios diretos do programa, principalmente na renegociação de débitos e reorganização financeira.
Segundo a reportagem, pesquisas recentes mostram que eleitores independentes seguem sendo um dos grupos mais voláteis da corrida eleitoral de 2026, alternando aprovação e desaprovação ao governo conforme acontecimentos políticos e econômicos.
Levantamentos da Quaest indicam que esse eleitorado tem oscilado na avaliação da gestão Lula desde 2024, influenciado por fatores como inflação, medidas econômicas, política internacional e temas de repercussão nacional.
O monitoramento realizado pelo jornal acompanha, desde o ano passado, a percepção de indecisos sobre temas de grande impacto político, incluindo anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, crise econômica, tarifaço dos Estados Unidos e sucessão política da direita.