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Brasil entra pela primeira vez no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano

Índice alcança 0,805 em 2024, mas desigualdades raciais, regionais e de gênero ainda persistem no país

Por: Redação Fonte: Jornal O Sul / O Globo / Pnud / IBGE
27/05/2026 às 09h33
Brasil entra pela primeira vez no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano
Todos os Estados do Sul do Brasil, registraram IDHM superior ao do Brasil. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

BRASIL — Pela primeira vez na história, o Brasil passou a integrar o grupo de países com muito alto desenvolvimento humano, segundo dados divulgados pelo Radar do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o IBGE e a Fundação João Pinheiro.

Entre 2012 e 2024, o índice brasileiro cresceu de 0,744 para 0,805, ultrapassando a marca de 0,8 — patamar que classifica um país como de muito alto desenvolvimento humano.

O IDHM varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento da população em áreas como renda, educação e longevidade. Pela classificação, índices acima de 0,8 representam nível muito alto de desenvolvimento.

Apesar do avanço histórico, o levantamento mostra que o crescimento ocorreu de forma desigual entre grupos sociais e regiões do país.

No recorte racial, a população negra (pretos e pardos) registrou evolução mais acelerada do índice — crescimento de 10,3%, contra 5,5% da população branca. Ainda assim, a desigualdade permanece significativa.

Em 2024, o IDHM da população branca atingiu 0,851, enquanto o da população negra chegou a 0,774, uma diferença de aproximadamente 10%.

Os dados também revelam disparidades importantes na renda. A renda domiciliar per capita da população branca subiu de R$ 1.029,68 para R$ 1.208,58 entre 2012 e 2024. Já entre a população negra, o valor passou de R$ 518,57 para R$ 673,65, pouco mais da metade do rendimento médio dos brancos.

Na expectativa de vida, os brancos passaram de 78,4 anos para 79,8 anos, enquanto a população negra registrou aumento de 72,78 anos para 75,73 anos.

O estudo também identificou desigualdades de gênero. Em 2024, os homens alcançaram IDHM de 0,802, entrando no grupo de muito alto desenvolvimento humano. Já as mulheres ficaram em 0,798, permanecendo na categoria de alto desenvolvimento humano.

Quando o tema é renda, a diferença também chama atenção. O rendimento médio feminino foi de R$ 1.260,45, enquanto os homens registraram R$ 1.604,30 no mesmo período.

No recorte regional, o levantamento aponta que apenas 10 unidades federativas atingiram o nível de muito alto desenvolvimento humano. O Distrito Federal lidera, com índice de 0,866, seguido de São Paulo (0,838).

Os estados da região Sul e Sudeste aparecem acima da média nacional, além de Mato Grosso e Goiás. Já os menores índices foram registrados no Maranhão (0,745) e em Alagoas (0,746).

Mesmo com os desafios, o relatório aponta que estados como Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte registraram os maiores crescimentos proporcionais no período analisado, indicando avanço gradual no desenvolvimento humano brasileiro.

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