
BRASIL / INTERNACIONAL — O governo da China se manifestou nesta sexta-feira (29) após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em nota oficial, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que o país defende o princípio da “não interferência em assuntos internos de outras nações”, em referência ao movimento adotado pelo governo americano.
A declaração ocorre um dia após o Departamento de Estado dos EUA anunciar que as duas facções brasileiras passam a ser consideradas “Terroristas Globais Especialmente Designados”, com previsão de inclusão futura na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras.
A decisão americana abre caminho para sanções financeiras, bloqueio de ativos e restrições a qualquer indivíduo ou empresa que mantenha vínculos com as organizações.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha tentando evitar a classificação, alegando que PCC e CV são organizações criminosas com motivação econômica, e não ideológica ou política, o que, segundo especialistas, seria um critério essencial para enquadramento como terrorismo.
Nos bastidores diplomáticos, a medida dos EUA gerou preocupação no Brasil quanto a possíveis impactos sobre soberania e cooperação internacional, especialmente na área de segurança pública.
O anúncio também ocorre em meio ao cenário político brasileiro, no qual o tema da segurança pública deve ganhar peso nas eleições de outubro, com debates envolvendo governo e oposição.
Até o momento, o Palácio do Planalto não anunciou medidas de resposta direta, mas deve reforçar o discurso de soberania nacional nas próximas manifestações oficiais.