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Lula cobra respeito e rejeita interferência dos EUA em decisão sobre facções criminosas

Presidente afirma que PCC e CV são terroristas no Brasil, mas critica classificação americana e defende soberania nacional

Por: Redação Fonte: Agência Brasil
29/05/2026 às 16h18
Lula cobra respeito e rejeita interferência dos EUA em decisão sobre facções criminosas
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou respeito à soberania brasileira e criticou a classificação de facções criminosas como terroristas pelo governo dos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta sexta-feira (29), durante agenda em Sergipe.

Segundo Lula, organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) são consideradas terroristas no contexto brasileiro, devido aos impactos nas comunidades, mas não podem ser tratadas sob a mesma lógica aplicada pelos Estados Unidos em sua política internacional.

“Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras”, afirmou o presidente, destacando que o combate a esses grupos já é feito por meio de legislações nacionais, como a lei antifacção e normas de enfrentamento ao crime organizado.

A fala ocorre após o governo norte-americano classificar PCC e CV como organizações terroristas globais, medida que gerou reação do governo brasileiro.

Lula também afirmou estar “muito triste” com a decisão do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e negou qualquer justificativa para uma eventual interferência estrangeira no Brasil.

“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, disse o presidente, ao reforçar que o país deve ser tratado com respeito no cenário internacional.

O presidente também levantou a hipótese de interesses estrangeiros em recursos naturais brasileiros, como minerais críticos e terras raras, além da Amazônia e reservas de água doce.

Durante o discurso, Lula defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas ressaltou que as ações devem ocorrer com respeito à soberania de cada país.

Segundo ele, o Brasil está disposto a colaborar com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime, inclusive no combate a esquemas de lavagem de dinheiro, desde que haja reciprocidade.

Lula também afirmou que o enfrentamento às organizações criminosas será reforçado com novas medidas legislativas, como a PEC da Segurança Pública.

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