
BRASÍLIA — O senador Paulo Paim (PT-RS) voltou a defender nesta terça-feira (2) a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, sem redução salarial, e o fim da escala 6x1. Em pronunciamento por videoconferência no Senado Federal, o parlamentar afirmou que a proposta vai além das relações trabalhistas e envolve questões ligadas à saúde, qualidade de vida, convivência familiar e produtividade.
Segundo Paim, a discussão está relacionada ao modelo de desenvolvimento que o país pretende adotar nos próximos anos e à forma como os ganhos obtidos com avanços tecnológicos e aumento da produtividade devem ser distribuídos entre trabalhadores e empregadores.
“O debate trata de dignidade humana, saúde física e mental, convivência familiar e qualidade de vida. Também envolve produtividade e o direito de viver além do trabalho”, afirmou o senador.
Durante o pronunciamento, Paim citou dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicando que boa parte dos vínculos formais já funciona em modelos semelhantes à escala 5x2. Para ele, experiências adotadas por empresas de diferentes setores demonstram que a redução da jornada pode ocorrer sem prejuízos à atividade econômica.
O senador também mencionou estudos que apontam benefícios como aumento da produtividade, redução da rotatividade de funcionários e melhora do ambiente de trabalho. Como exemplo, destacou a decisão da mineradora Vale de adotar jornadas de 40 horas semanais e escala 5x2 em parte de suas operações.
De acordo com Paim, a medida beneficia mais de 100 mil trabalhadores e reforça a possibilidade de modernização das relações de trabalho sem impactos negativos para a produção.
O tema tem ganhado espaço no Congresso Nacional e integra discussões sobre mudanças nas regras trabalhistas e novos modelos de jornada, especialmente diante das transformações provocadas pela tecnologia e pelas novas formas de organização do trabalho.