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Brasil tem 18 perfis políticos criados por IA, e maioria não avisa seguidores, aponta estudo

Levantamento identificou influenciadores artificiais usados para comentar política; 61% das publicações não informavam uso de inteligência artificial

Por: Redação Fonte: g1 / Observatório das Eleições
20/05/2026 às 20h02
Brasil tem 18 perfis políticos criados por IA, e maioria não avisa seguidores, aponta estudo
Dona Maria, personagem criada por inteligência artificial — Foto: Reprodução

BRASIL — Um levantamento do Observatório das Eleições identificou 18 perfis artificiais usados para comentar política nas redes sociais brasileiras, entre janeiro de 2025 e abril de 2026. Segundo o estudo, 61% das publicações desses personagens não informavam que o conteúdo havia sido criado por inteligência artificial (IA).

A pesquisa foi conduzida pelas organizações Data Privacy Brasil e Aláfia Lab e analisou avatares digitais utilizados como influenciadores, comentaristas políticos, apresentadores, supostos eleitores e até lideranças populares nas redes sociais.

Entre os casos mais conhecidos está o da personagem “Dona Maria”, criada artificialmente e que ganhou repercussão nas redes ao publicar vídeos com posicionamentos políticos. Outro exemplo citado é o “Seu Zé da Feira”, personagem digital usado para comentar temas políticos sob outra perspectiva ideológica.

De acordo com o levantamento, apenas sete dos 18 casos analisados apresentavam algum tipo de aviso sobre o uso de IA, ainda assim de forma limitada. Em alguns casos, a identificação aparecia por meio de marca d’água das plataformas, hashtags ou sinalizações automáticas das próprias redes sociais.

Segundo as regras estabelecidas pela Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026, conteúdos criados ou manipulados por inteligência artificial devem apresentar aviso explícito, visível e de fácil identificação, informando que houve uso da tecnologia e indicando a ferramenta empregada.

Os pesquisadores afirmam que, em muitos perfis, a origem artificial só foi percebida após análise técnica de detalhes como falhas visuais, proporções inconsistentes e elementos robotizados em imagens e áudios.

O estudo também aponta que 14 dos 18 perfis mapeados (78%) continham alegações consideradas enganosas sobre políticos ou instituições democráticas, o que reforça preocupações sobre o uso da inteligência artificial na disseminação de conteúdos políticos durante períodos eleitorais.

As publicações circularam principalmente no TikTok e no Instagram, com seis casos registrados em cada plataforma. O YouTube apareceu em seguida, além de ocorrências no X, Kwai e Facebook.

Os pesquisadores destacam que o avanço desse tipo de conteúdo representa um novo desafio para o ambiente digital, já que personagens inteiramente artificiais podem simular opiniões espontâneas e influenciar debates políticos nas redes sociais.

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